Em 2025, Piracicaba registrou menos acidentes de trânsito, mas os que aconteceram foram mais graves. A cidade chegou ao topo do ranking estadual de fatalidades, e muitas pessoas sobrevivem com ferimentos permanentes, enfrentando limitações físicas, neurológicas ou ortopédicas que podem mudar suas vidas para sempre.
O cenário da cidade reflete o alerta nacional do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estima que, para cada morte causada por acidentes de trânsito, haja até dez pessoas sobrevivendo com sequelas graves. No país, são mais de 32 mil mortes por ano, com um custo social e econômico estimado em R$50 bilhões anuais.
Entre 2023 e 2024, as mortes em Piracicaba passaram de 59 para 74, mantendo-se em patamar elevado em 2025, com 72 óbitos nos 12 meses até agosto. A taxa de mortalidade é de 16,86 mortes por 100 mil habitantes, uma das mais altas do Estado.
No primeiro bimestre de 2025, a cidade registrou 158 acidentes, contra 272 no mesmo período de 2024. Mas a proporção de acidentes fatais dobrou, passando de 2,4% para 5,1%. Menos acidentes, sim, mas mais graves e, portanto, maior risco de vítimas com sequelas permanentes.
Embora não haja estatísticas oficiais detalhadas sobre pessoas com sequelas em Piracicaba, a Prefeitura reconhece a gravidade do problema. Em 2025, criou o Comitê Gestor da Linha de Cuidado ao Paciente Politraumatizado, voltado à redução de mortes e sequelas evitáveis.
As autoridades estão reagindo. Há mais educação no trânsito, fiscalização reforçada e programas para melhorar o socorro e acompanhamento das vítimas. Ainda assim, os especialistas alertam, que reduzir acidentes não é suficiente. É preciso investir em infraestrutura segura, transporte coletivo eficiente e programas de apoio às vítimas para diminuir tanto as mortes quanto as sequelas que muitas vezes permanecem invisíveis, mas com consequências profundas.
O trânsito em Piracicaba não matou mais pessoas por acidente mas deixou feridas mais profundas, que a cidade ainda precisa aprender a tratar.
O alerta do CFM serve como espelho para cidades como Piracicaba, cada morte é acompanhada de múltiplos sobreviventes com limitações graves. Menos acidentes não significa menos impactos significa que o trânsito exige atenção constante, políticas públicas efetivas e engajamento da população para salvar vidas e reduzir sequelas.