O consumo de drogas ilícitas no Brasil aumentou 80% entre 2012 e 2023, segundo dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A pesquisa analisou o consumo e a experimentação de 16 tipos de drogas ilícitas em todo o país, com amostra representativa da população a partir dos 14 anos de idade. O estudo avalia o uso de substâncias psicoativas e seus impactos no sistema nervoso central, no humor, nas emoções e na percepção da realidade. Álcool e produtos à base de nicotina, como cigarros e dispositivos eletrônicos, não foram considerados nesta etapa.
A maconha e seus derivados lideram o ranking de consumo. Em 2023, cerca de 15% dos entrevistados afirmaram já ter experimentado cannabis pelo menos uma vez na vida, frente a 6,12% em 2012.
A cocaína aparece como a segunda substância mais utilizada. O percentual de pessoas que já experimentaram a droga chegou a 5,4% em 2023, alta de 39% em relação a 2012. O uso recente, porém, permaneceu estável em 1,8%.
Na sequência estão estimulantes do grupo das anfetaminas, inalantes à base de solventes, como lança-perfume e cola de sapateiro, e o ecstasy. O uso de crack permanece relativamente baixo, com 1,4% de experimentação e 0,5% de consumo no último ano, concentrado em grupos específicos e sem sinais de expansão recente.
O levantamento também aponta que o consumo está mais concentrado entre jovens e adultos com menos de 50 anos. Em 2023, 27,4% das pessoas entre 18 e 24 anos relataram já ter experimentado alguma droga ilícita, e 16,3% fizeram uso no último ano. Entre 25 e 49 anos, os índices foram de 22,8% e 9,3%, respectivamente. A partir dos 50 anos, os percentuais apresentam queda significativa.