Com o aumento do volume de chuvas em Piracicaba, cresce a preocupação com possíveis alagamentos em diferentes pontos da cidade. A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas de risco e não transitar por locais alagados durante e após as chuvas, já que o nível da água pode subir de forma rápida e inesperada.
Especialistas em saúde alertam que o contato com a água de enchentes representa risco à população, pois esses locais podem estar contaminados por esgoto, lixo, produtos químicos e urina de animais. A recomendação é evitar qualquer contato direto com a água acumulada em ruas, calçadas ou residências.
Em entrevista ao nosso portal, o médico infectologista Dr. Carlos Augusto Gimael Ferraz Jr. explicou que uma das consequências mais comuns da exposição à água contaminada são as diarreias agudas, que podem ser causadas tanto por vírus quanto por bactérias. Segundo ele, esses quadros podem cursar com febre e, na maioria das vezes, apresentam melhora espontânea.
“O tratamento geralmente envolve medidas simples, como o uso de medicamentos sintomáticos e, principalmente, a hidratação. Ela pode ser feita com água, soro caseiro ou soluções de reidratação oral disponíveis para comercialização”, explica o infectologista.
Além disso, bebidas isotônicas, fórmulas específicas de reidratação, leite reidratante e água de coco também podem auxiliar na reposição de líquidos e sais minerais. “A reidratação é o principal cuidado no tratamento das diarreias agudas e deve ser iniciada o quanto antes”, reforça.
O médico alerta, no entanto, para sinais de maior gravidade. “Quando a diarreia vem acompanhada de febre e da presença de muco ou sangue nas fezes, o que caracteriza quadros de disenteria, há maior risco de infecção bacteriana”, afirma.
Nessas situações, a orientação é buscar atendimento médico, já que pode ser necessário o uso de antibióticos. “Na maioria dos casos, o antibiótico não é indicado. O tratamento costuma se limitar à hidratação e aos medicamentos sintomáticos, mas a avaliação médica é essencial”, esclarece.
Outro ponto de atenção envolve pacientes que não conseguem se hidratar por via oral. “Se a pessoa apresenta vômitos persistentes ou não consegue ingerir líquidos em quantidade suficiente, deve procurar um pronto atendimento, pois pode ser necessária a hidratação endovenosa”, explica.
Dr. Carlos Augusto também faz um alerta importante sobre o uso de medicamentos antidiarreicos. Segundo ele, remédios como a loperamida, conhecida comercialmente como Imosec, utilizados para reduzir a frequência das evacuações, devem ser evitados.
O infectologista explica que o uso desses medicamentos pode dificultar a eliminação do agente infeccioso do organismo, favorecendo a piora da infecção. “Em casos mais graves, isso pode evoluir até para quadros de sepse, que é a infecção generalizada. Por isso, esses medicamentos não devem ser utilizados sem orientação médica”, conclui.