Levantamento indica que a maioria já tem posição definida, enquanto medo do adversário, identidade política e desgaste dos principais nomes devem pautar a disputa.
A eleição presidencial de 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais rígidos no comportamento do eleitor brasileiro. Pesquisa Atlas/Arko revela um cenário de voto cristalizado, rejeição elevada e forte impacto emocional, desenhando uma corrida em que a disputa tende a ser marcada menos pela conquista de indecisos e mais pela mobilização das bases já consolidadas.
O primeiro dado que chama atenção é o grau de definição do eleitorado. Segundo o levantamento, 86,7% dos entrevistados afirmam que já têm o voto decidido para presidente, enquanto uma parcela menor diz saber apenas em quem não votará ou ainda avalia mais de um nome.
O estudo também mostra que a decisão do voto está fortemente ligada ao campo emocional. Mais de 60% dizem que a tendência é votar com entusiasmo em um candidato, enquanto uma parcela relevante afirma que o voto será usado para impedir a vitória de um nome considerado perigoso. O chamado “voto no menos pior” também aparece, reforçando a força da rejeição como elemento central da disputa.
Outro ponto relevante é a percepção de escassez de alternativas competitivas. Para metade dos entrevistados, existe apenas um bom nome na corrida presidencial, o que ajuda a consolidar ainda mais a polarização entre os principais grupos políticos do país.
No recorte ideológico, a pesquisa mostra um eleitorado mais concentrado à direita, seguido por esquerda e centro-esquerda. O dado ajuda a explicar o ambiente de forte divisão política que já se desenha meses antes do início oficial da campanha.
A influência das redes sociais aparece como fator decisivo. O Instagram lidera como principal fonte de informação política, seguido por sites de notícias e YouTube, confirmando o peso crescente do ambiente digital na formação de opinião e na consolidação das preferências eleitorais.
A pesquisa também aponta altos índices de desgaste entre os principais nomes nacionais. Tanto figuras ligadas ao governo atual quanto nomes associados ao bolsonarismo registram índices expressivos de rejeição, revelando um eleitorado cada vez mais resistente à mudança de percepção.
Outro dado que chama atenção é o nível de impacto emocional diante do resultado das urnas. Quase 8 em cada 10 entrevistados afirmam que seriam afetados emocionalmente caso o político que mais rejeitam vença a eleição, o que reforça a tendência de uma campanha marcada por medo, identidade e confronto.
O retrato apresentado pela Atlas/Arko mostra um país em que a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pelo convencimento racional e mais pela força das identidades políticas já estabelecidas, pela rejeição consolidada e pelo peso das emoções no comportamento do eleitor.