Confira abaixo:
O Fórum de Piracicaba recebe nesta quarta-feira (19), a partir das 9h, o júri popular dos três acusados pela morte da ex-vereadora Madalena Leite, assassinada em abril de 2021. O caso, que chocou a cidade e repercutiu nacionalmente, volta ao centro das atenções com a expectativa de familiares, amigos e representantes da comunidade LGBTQIAPN+, que aguardam o desfecho judicial há mais de quatro anos.
Quem foi Madalena Leite
Aos 64 anos, Madalena se tornou a primeira travesti eleita vereadora na história de Piracicaba, ao conquistar 3.035 votos em 2012 pelo PSDB. Antes disso, já somava mais de duas décadas de atuação comunitária no bairro Boa Esperança, onde liderou o centro comunitário e comandou ações sociais reconhecidas por moradores.
Negra, de forte presença e conhecida pela personalidade marcante, Madalena enfrentou episódios de racismo, transfobia e ataques virtuais ao longo de sua trajetória política. Ainda assim, tornou-se referência local e uma figura histórica da representatividade na cidade.
O crime
Madalena foi encontrada morta no dia 7 de abril de 2021, em sua casa, no bairro Vila Sônia, com ferimentos profundos na cabeça. Segundo a investigação da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), três homens invadiram o imóvel, renderam a vítima e a agrediram com golpes de facão.
O corpo foi localizado por um vizinho, que tinha a chave do imóvel e acionou a Polícia Militar após encontrar o portão entreaberto.
Dentro da residência, policiais localizaram um quadro com a foto de Madalena totalmente quebrado e vários objetos revirados.
A investigação apontou que um dos suspeitos tinha desentendimentos com Madalena devido à disputa por liderança comunitária no bairro. Nove dias após o crime, os três acusados foram presos. Com eles, a polícia encontrou pertences da vítima, como paletó, gravata, chaves e lenço — itens reconhecidos pela família.
Ligação com outro homicídio no mesmo bairro
No curso das apurações, a Deic identificou que dois dos acusados também estariam envolvidos na morte de Marcos Henrique Baldasin, o “Marquinhos”, assassinado dois dias após o crime contra Madalena. Segundo a polícia, Marquinhos comentava no bairro que sabia quem eram os autores do assassinato da ex-vereadora, o que pode ter motivado sua execução.
Os dois crimes ocorreram no bairro Boa Esperança, com características semelhantes de violência.
Mobilização por justiça
Familiares de Madalena produziram camisetas com a foto da ex-vereadora e mensagens pedindo justiça. A iniciativa será usada como forma de protesto pacífico durante o julgamento.
Em nota, uma sobrinha da vítima afirmou:
“Clamaremos por justiça. Que os culpados sejam punidos com todo o rigor da lei. Nada apagará a dor, mas esperamos que a verdade prevaleça.”
O promotor Aluísio Antônio Maciel Neto confirmou ao g1 a data do júri.
Legado e memória
A trajetória de Madalena será registrada em um documentário atualmente em desenvolvimento. A produção deve ser retomada em 2026 e destacará sua atuação social, a importância de sua eleição para a representatividade LGBTQIAPN+ e os desafios enfrentados em vida.
Sua história segue inspirando movimentos sociais, coletivos e pessoas que encontraram na ex-vereadora um símbolo de coragem e resistência.
Acompanhe a cobertura
O Canal de Piracicaba fará a cobertura completa do julgamento ao longo do dia 19, com atualizações sobre o andamento do júri, possíveis depoimentos e decisões do Tribunal.
Redatora: Yaeko