A morte do enfermeiro de cuidados intensivos Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes federais de imigração em Minneapolis no sábado (24/01), provocou uma nova onda de protestos e aprofundou a crise política em torno das operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Segundo reportagem da BBC, manifestações iniciadas em Minneapolis se espalharam no domingo (25/01) para outras grandes cidades do país, como Nova York, Chicago, Los Angeles e São Francisco. Atos públicos pedem a retirada imediata dos agentes federais de imigração do estado de Minnesota e responsabilização pelas mortes ocorridas durante as operações.
Em entrevista ao Wall Street Journal, o presidente Donald Trump afirmou que seu governo está “revisando tudo” em relação ao caso e que uma “determinação será divulgada”. Trump também indicou a possibilidade de retirar os agentes federais de Minneapolis, mas não apresentou prazos ou detalhes sobre como isso ocorreria.
O governador democrata de Minnesota, Tim Walz, voltou a classificar a situação como um “ponto de virada” para o país e reforçou os apelos para que o governo federal suspenda as operações do ICE no estado. Em resposta, Trump exigiu que o governador entregue “todos os estrangeiros ilegais criminosos” mantidos em presídios estaduais para deportação, intensificando o embate político entre autoridades estaduais e a Casa Branca.
Conflito entre forças locais e federais
A crise ganhou novos contornos após declarações do chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, à BBC. Segundo ele, policiais estaduais foram impedidos por agentes federais de acessar o local do tiroteio, mesmo estando munidos de um mandado de busca autorizado pela Justiça.
O’Hara afirmou ainda que as forças de segurança locais e estaduais mantêm cooperação com autoridades federais há anos, mas que a atual situação está comprometendo a capacidade das agências de conduzir investigações independentes e transparentes. A restrição de acesso ao local dos disparos levantou questionamentos sobre a condução da operação e a preservação de provas.
Repercussão nacional e divisão política
Congressistas norte-americanos seguem divididos sobre o caso, tanto em relação à atuação dos agentes federais quanto ao direito da vítima de portar arma de fogo, garantido pela Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos. A discussão reacendeu debates sobre uso da força, militarização das operações migratórias e limites da atuação federal em estados governados por opositores políticos.
Memoriais improvisados foram montados no sul de Minneapolis em homenagem a Alex Pretti. Em um deles, manifestantes ergueram cartazes pedindo justiça e o fim das batidas anti-imigração. Para líderes comunitários, o caso simboliza uma escalada perigosa na condução das políticas migratórias e no uso de força letal em áreas urbanas densamente povoadas.
As investigações seguem em andamento, enquanto protestos continuam previstos para os próximos dias em diferentes regiões dos Estados Unidos.