Confira abaixo:
Na esquina das ruas Governador Pedro de Toledo e Regente Feijó, uma estrutura antiga resiste ao tempo e à urbanização. É o portal do Estádio Roberto Gomes Pedrosa — o histórico Robertão, também conhecido como Panela de Pressão —, que marcou gerações de torcedores e escreveu parte essencial da trajetória do XV de Piracicaba.

Inaugurado em 1949, o estádio ocupava o mesmo terreno onde hoje está o Assaí Atacadista, na região central da cidade. Por décadas, foi o coração do futebol piracicabano e palco de memoráveis partidas do Nhô Quim, especialmente durante sua ascensão ao cenário estadual. Foi ali que o clube estreou na elite do Campeonato Paulista e que a torcida criou uma das atmosferas mais vibrantes e temidas do interior paulista.
O apelido “Panela de Pressão” surgiu de forma espontânea, impulsionado pela energia das arquibancadas sempre cheias. O som das torcidas, os gritos de incentivo e o calor humano transformavam o pequeno estádio em um verdadeiro caldeirão — um lugar onde enfrentar o XV era encarar, além do time, toda uma cidade apaixonada por futebol.
Com a inauguração do Estádio Barão da Serra Negra, em 1965, o XV passou gradualmente a mandar seus jogos no novo espaço, mais moderno e com maior capacidade. O antigo Robertão passou então a abrigar o Grêmio da Mausa, tradicional clube social e esportivo da cidade, que manteve o local ativo por algumas décadas.
No início dos anos 2000, o terreno foi vendido e deu lugar a um hipermercado, encerrando definitivamente as atividades do estádio. Hoje, o que resta é apenas o portal de entrada — vestígio simbólico e silencioso de uma era de ouro do futebol piracicabano, em que o XV escrevia sua história com suor, emoção e o apoio incansável de sua torcida.
Mais do que concreto e arquibancadas, o Robertão representa um tempo em que o esporte era vivido com intensidade e pertencimento. Uma época em que Piracicaba respirava futebol, e os gritos da torcida ecoavam pelas ruas próximas ao rio.
Hoje, o portal que ainda se mantém de pé é um marco histórico e uma lembrança viva de que o futebol é, acima de tudo, parte da identidade cultural da cidade. Assim como o rio que lhe dá nome, o XV de Piracicaba segue correndo na memória e no coração de quem viu o Robertão ferver.
Redator: Brayan Gonçalves