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Pedreira do Bongue: o sítio paleontológico de 260 milhões de anos que revela quando Piracicaba ainda era mar

A Pedreira do Bongue, uma das formações naturais mais conhecidas de Piracicaba, é também um sítio paleontológico de cerca de 260 milhões de anos, composto por camadas de argilito e arenito que se formaram quando a região ainda era coberta por um ambiente marinho

02/12/2025

Brayan Gonçalves

A Pedreira do Bongue, localizada na região do Jupiá, é um dos pontos mais conhecidos de Piracicaba — seja pela paisagem imponente, pela vista para o rio ou pelos episódios recorrentes de queda de rochas. Mas o que muitos moradores desconhecem é que o local guarda um valor científico raríssimo: suas formações revelam que, há cerca de 260 milhões de anos, toda a região era coberta por um ambiente marinho.

Pesquisadores da área de geociências explicam que a pedreira integra a Formação Corumbataí, uma unidade geológica composta por rochas sedimentares originadas em períodos remotos da Terra. As camadas visíveis na parede rochosa — divididas entre argilitos (antigas argilas acumuladas em águas profundas) e arenitos (areias depositadas em áreas costeiras) — são testemunhos físicos desse passado.

Essas camadas sedimentares preservaram fósseis de peixes, conchas e pequenos invertebrados, que ajudam a reconstruir como era o ambiente marinho que dominava a região antes da separação dos continentes e das transformações climáticas globais. É essa presença de vestígios fósseis que faz da Pedreira do Bongue um sítio paleontológico reconhecido no meio acadêmico.

Apesar da sua relevância científica, o local não possui proteção oficial por órgãos como Codepac, Condephaat ou Iphan. Isso significa que a área ainda não é reconhecida como patrimônio geológico, fato que preocupa especialistas, especialmente diante da ocupação urbana que avança desde a década de 1980 na parte superior da formação rochosa.

Atualmente, casas e estabelecimentos ocupam o topo da pedreira, que já foi loteado no passado. Essa situação contrasta com o valor natural e educativo do local, que contém informações geológicas essenciais para o estudo da história da região e do planeta.

Diante desse cenário, pesquisadores defendem que a Pedreira do Bongue seja transformada em um parque geológico, nos moldes de iniciativas já existentes no Brasil, como o Parque do Varvito (Itu-SP) e o Geoparque de Uberaba (MG). Esses espaços protegem formações rochosas milenares e promovem atividades educativas, visitas guiadas e pesquisas científicas.

Enquanto isso não ocorre, o Bongue segue como um verdadeiro tesouro a céu aberto, onde a história profunda da Terra está registrada em cada camada rochosa — e onde Piracicaba, um dia, foi mar.

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