Piracicaba registrou em 2025 uma queda significativa na criação de empregos formais em comparação com 2024. Enquanto o saldo de vagas (admissões menos desligamentos) chegou a 6.168 novos postos de trabalho de janeiro a novembro de 2024, no mesmo período de 2025 o município criou apenas 3.131 vagas – cerca de metade do ano anterior. Essa desaceleração afetou a posição de Piracicaba nos rankings de emprego e veio acompanhada de mudanças nos setores que mais contrataram e no perfil dos trabalhadores admitidos, conforme mostram dados do Caged e análises da Prefeitura.

Comparação do saldo de empregos formais em Piracicaba (jan-nov) entre 2024 e 2025. Observa-se forte queda no número de vagas criadas em 2025 em relação ao ano anterior.
Saldo de empregos: 2024 em alta, 2025 em baixa
Em 2024, Piracicaba viveu um ano de forte geração de empregos formais. Somente entre janeiro e novembro foram criados 6.168 postos com carteira assinada no município. Já em 2025, os dados preliminares até novembro indicam um saldo positivo de apenas 3.131 vagas, representando uma desaceleração notável. Essa diferença fica evidente no gráfico acima, que ilustra a redução de quase 50% no saldo anual de empregos formais. A própria Prefeitura reconheceu essa perda de fôlego: apesar de Piracicaba vir de resultados positivos consecutivos desde 2021, 2025 mostrou um mercado de trabalho menos aquecido que o ano anterior.
Alguns fatores explicam a diferença. Em 2024, o país como um todo estava em recuperação econômica, o que refletiu nos municípios; Piracicaba terminou aquele ano figurando entre as cidades com maior criação de vagas no Estado de São Paulo. Em 2025, porém, houve uma desaceleração nacional na geração de empregos – o saldo de vagas no Brasil em janeiro a agosto de 2025 foi 13,8% menor que no mesmo período de 2024. Esse arrefecimento se refletiu localmente nos números mais modestos de Piracicaba.
Setores campeões de contratação em cada ano
O perfil setorial da geração de empregos também mudou de um ano para outro. Em 2024, o setor de serviços liderou com folga a criação de vagas formais em Piracicaba. No primeiro semestre de 2024, por exemplo, serviços abriu 1.602 postos, três vezes mais vagas que os demais setores. Ao longo do ano, serviços manteve-se como o principal motor do emprego local, seguido pela indústria e pela agropecuária. Esse dinamismo do setor terciário fica evidente na análise oficial: “o setor de serviços lidera a geração de vagas na cidade” naquele ano, conforme destacou comunicado municipal.
Em 2025, entretanto, o protagonismo setorial foi diferente. Impulsionada por novos empreendimentos e obras, a construção civil assumiu a dianteira na geração de empregos formais durante boa parte do ano. De janeiro a agosto de 2025, a construção respondeu pela criação de 1.514 novas vagas – quase 45% do total acumulado no período. Esse número superou com folga o desempenho dos serviços, que até agosto haviam gerado apenas 579 empregos líquidos, e até mesmo do comércio, com 697 vagas no mesmo período. Ou seja, ao contrário de 2024, quando comércio e serviços puxaram as contratações de fim de ano, em 2025 foram as obras e empreendimentos imobiliários que sustentaram o saldo positivo. Vale notar que alguns setores tradicionais chegaram a fechar meses no vermelho em 2025 – por exemplo, serviços e comércio tiveram saldos negativos em agosto daquele ano –, algo que não se observou em 2024. Somente no último bimestre de 2025 o comércio voltou a aquecer, graças às contratações temporárias de fim de ano, mas não o suficiente para reverter a perda de ritmo geral.
Perfil dos contratados: gênero, idade e escolaridade
Outra diferença importante aparece no perfil dos trabalhadores contratados em cada ano. Em 2024, o saldo de empregos foi relativamente equilibrado entre homens e mulheres. Nos seis primeiros meses daquele ano foram criadas 1.725 vagas ocupadas por homens contra 1.624 por mulheres, praticamente uma divisão meio a meio. Já em 2025, observa-se uma maior concentração de contratações do sexo masculino. Em janeiro de 2025, por exemplo, cerca de 68,9% dos contratados eram homens – reflexo, em parte, do peso da construção civil (setor tipicamente masculino) na geração de vagas. Ao longo de 2025, meses como agosto confirmaram essa tendência, ainda que de forma menos acentuada (em agosto foram 34 novos postos preenchidos por homens e 30 por mulheres).
Quanto à escolaridade, em ambos os anos predominou a contratação de trabalhadores com ensino médio completo. Esse grupo foi destaque, representando a maioria das vagas preenchidas. No primeiro semestre de 2024, por exemplo, o ensino médio completo somou 2.678 contratações, muito acima de qualquer outro nível de instrução. Em 2025 a situação foi similar: já em janeiro, 71% dos admitidos possuíam ensino médio completo, indicando demanda contínua por mão de obra com qualificação básica e técnica. Essa prevalência do ensino médio sugere que grande parte das oportunidades geradas em Piracicaba exigem, no mínimo, formação de segundo grau, alinhada às vagas industriais, de serviços e comércio locais.
A faixa etária mais beneficiada também manteve um padrão: jovens entre 18 e 24 anos conquistaram o maior saldo de empregos. Em 2024, essa faixa liderou com folga – somente no primeiro semestre foram 2.209 postos para trabalhadores de 18 a 24 anos, o melhor saldo entre todas as idades. Em 2025, embora não haja dados completos divulgados por idade até o momento, a tendência observada mês a mês continuou a privilegiar os mais jovens, que costumam ocupar grande parte das novas vagas de entrada no mercado de trabalho.
Importante notar que, apesar de 2025 ter tido predominância masculina nas contratações, as mulheres ganharam espaço significativo em 2024. Autoridades destacaram que, especialmente no fim de 2024, as vagas para mulheres cresceram em ritmo maior que para homens, invertendo uma lógica histórica. “Neste ano, o destaque está para as mulheres que têm conseguido muito mais vagas de emprego que os homens”, afirmou Euclides Libardi, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, em dezembro de 2024. Essa observação mostra uma mudança positiva na inclusão feminina no mercado formal piracicabano, tendência que pode se consolidar nos próximos anos.
Piracicaba no ranking estadual e regional de empregos
O excelente desempenho de 2024 colocou Piracicaba em posição de destaque no Estado de São Paulo. Segundo pesquisa da Fundação Seade, com base no Caged, o município apareceu na 14ª colocação entre os 50 que mais geraram empregos formais (acumulado de 12 meses) no Estado. Esse ranking, divulgado em outubro de 2024, mostrava Piracicaba à frente de cidades do mesmo porte, como Jundiaí, Limeira e São Carlos. Considerando apenas o acumulado do ano de 2024 até agosto, Piracicaba ficou em 16º no Estado, com 4.490 vagas formais geradas. Além disso, no balanço de janeiro a novembro de 2024, Piracicaba manteve-se entre os 10 municípios campeões de emprego em São Paulo, reforçando sua posição como polo regional de oportunidades.
Em 2025, com a queda no saldo de vagas, Piracicaba perdeu algumas posições no cenário estadual, mas ainda se manteve relevante. No acumulado até julho, a cidade ocupava o 18º lugar no ranking paulista, com 3.360 vagas geradas, mas liderava na região de Piracicaba – nenhum município vizinho criou mais empregos formais até então. Limeira, por exemplo, vinha logo atrás em 19º no Estado (3.135 vagas), e São Carlos em 31º, evidenciando que Piracicaba seguiu como motor de emprego regional em 2025. No acumulado até agosto, Piracicaba estava em 19º no Estado e 68º no Brasil em geração de postos formais. Porém, com as perdas de vagas nos meses seguintes, estima-se que o município tenha caído para por volta da 25ª posição estadual ao final de novembro. Ainda assim, Piracicaba permanece entre os 30 maiores geradores de emprego de São Paulo em 2025, um feito notável em um ano de menor crescimento.
Regionalmente, Piracicaba continua sendo referência na criação de empregos. Em 2024, liderou com folga a região administrativa, contribuindo majoritariamente para os mais de 22 mil postos formais criados na cidade desde 2021. Em 2025, mesmo com desempenho modesto, a cidade não foi ultrapassada pelos vizinhos de médio porte (como Rio Claro, Araras ou Americana) em número de vagas geradas. Isso consolida Piracicaba como o principal polo empregador de sua região, ainda que em âmbito estadual tenha havido uma perda relativa de posição devido ao avanço de cidades maiores ou de regiões metropolitanas.
O que dizem os especialistas e perspectivas para o futuro
Apesar do ritmo mais lento em 2025, as expectativas das autoridades locais permanecem otimistas. No fim de 2024, projetações já indicavam crescimento do emprego em 2025, apoiado na chegada de novas empresas e no aquecimento sazonal do comércio. “Os dados mostram que a empregabilidade no município tem se fortalecido e esperamos que continue assim, com a instalação de novas empresas que anunciaram investimentos nos últimos meses”, afirmou o secretário Euclides Libardi, ao comentar o bom resultado de Piracicaba no ranking estadual. Ele destacou também o potencial do setor de serviços e o incremento das contratações femininas como sinais positivos para a economia local.
Durante 2025, mesmo com resultados aquém do esperado, gestores mantiveram tom de confiança moderada. José Luiz Ribeiro, secretário municipal de Trabalho e Renda, observou em setembro que havia tendência de alta nas vagas de comércio com a aproximação do fim do ano, e que a Prefeitura continuava investindo em qualificação profissional de mão de obra local para “ampliar a geração de emprego e renda na cidade”. De fato, no último bimestre de 2025 o comércio e serviços deram sinais de recuperação graças às festas de fim de ano, e a expectativa é que esse embalo inicial se carregue para 2026.
Para 2026, a perspectiva é de retomada gradual. Com projetos em andamento – como a instalação de uma nova planta automotiva anunciada em 2025, que promete 150 novos empregos diretos na cidade – e a criação de novos distritos industriais atraindo empresas (com previsão de 1.668 vagas nos próximos anos), Piracicaba pode recuperar o ritmo de geração de postos formais. Especialistas, porém, alertam que o desempenho dependerá também do cenário macroeconômico nacional, que influencia contratações em todos os setores.
Em resumo, 2024 foi um ano excepcional para o emprego em Piracicaba, enquanto 2025 representou uma freada, ainda que mantendo o município bem colocado no contexto estadual. Setores como serviços e construção civil se alternaram no topo, e mudanças positivas no perfil de contratação – como o aumento da participação feminina – sinalizam avanços qualitativos no mercado de trabalho local. A administração municipal permanece confiante de que as bases econômicas sólidas de Piracicaba e os investimentos prospectados garantirão a continuidade da geração de empregos, projetando um 2026 mais promissor na abertura de vagas e oportunidades para a população piracicabana