A Raízen encerrou o terceiro trimestre da safra 2025/26 com prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões, resultado impactado por um impairment de R$ 11,1 bilhões após rebaixamentos nas classificações de risco. A perda é 509% superior à registrada no mesmo período da safra anterior.
A dívida líquida da companhia alcançou R$ 55 bilhões, alta de 43% em 12 meses. Já a dívida bruta chegou a R$ 70 bilhões, refletindo mudanças na estratégia financeira, aumento da taxa básica de juros e maior custo do serviço da dívida. Apenas nos nove meses da safra atual, a empresa desembolsou R$ 7,6 bilhões com juros.
Controlada pela Cosan e pela Shell, a companhia avalia alternativas estruturais para reduzir o endividamento e preservar a competitividade. Entre as possibilidades analisadas estão aporte de capital pelos acionistas e eventual recuperação extrajudicial. A Shell teria apresentado proposta de capitalização de R$ 5 bilhões. Outras alternativas incluem conversão de parte da dívida em ações e possível reorganização societária.
A empresa também acelerou a venda de ativos, com cerca de R$ 5 bilhões já levantados, e trabalha para reduzir a alavancagem para um patamar entre 2 e 2,5 vezes. Segundo estimativas do mercado, seriam necessários entre R$ 20 e R$ 25 bilhões para estabilizar a estrutura de capital.
No desempenho operacional, a Raízen destacou melhora na eficiência e redução de investimentos em aproximadamente R$ 3 bilhões nesta safra. No segmento de combustíveis, a margem Ebitda ajustada avançou, enquanto a área de açúcar e etanol foi impactada pela queda nos preços da commodity. Como estratégia de mitigação de risco, a companhia informou que já fixou 60% da produção de açúcar da próxima safra por meio de hedge.
Apesar do prejuízo histórico, a administração afirma que a empresa segue operando normalmente e conduzindo um plano de transformação. O mercado acompanha as próximas decisões dos controladores e os desdobramentos da reestruturação financeira.