A decisão foi tomada após os resultados positivos de projetos-piloto implantados no interior de São Paulo. O primeiro teste ocorreu na loja de Indaiatuba, inaugurada em novembro de 2025, e posteriormente o modelo foi estendido para unidades em Campinas, Sumaré, Hortolândia, além de lojas do Paulistão Atacadista em cidades como Barretos, Sertãozinho e Franca.
Segundo o grupo, a experiência demonstrou que é possível manter a eficiência operacional ao mesmo tempo em que se promove mais qualidade de vida para os trabalhadores.
Jornada mantida dentro da lei
A mudança na escala não altera a carga horária semanal prevista na legislação trabalhista, que permanece em 44 horas. O que muda é a forma de distribuição da jornada: em vez de seis dias consecutivos de trabalho, os colaboradores passam a cumprir a carga semanal em cinco dias, com jornadas diárias ajustadas para cerca de 8h48, garantindo dois dias de descanso por semana.
De acordo com o vice-presidente administrativo e financeiro do Grupo Savegnago, Beto Borsoni, o aprendizado com o projeto-piloto foi determinante para a ampliação da medida. Segundo ele, os dois dias de descanso fazem diferença no bem-estar dos colaboradores, na convivência familiar e na disposição para o trabalho, refletindo diretamente no atendimento ao cliente.
Impacto para trabalhadores de Piracicaba
Para os funcionários da unidade de Piracicaba, o fim da escala 6×1 representa um avanço importante. O modelo tradicional, comum no setor supermercadista, é frequentemente associado ao desgaste físico e emocional, principalmente pela sequência prolongada de dias trabalhados com apenas um dia de folga.
Com a escala 5×2, a expectativa é de mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, maior previsibilidade da rotina semanal e melhores condições de descanso, fatores que contribuem para a saúde física e mental dos trabalhadores.
Tendência no setor varejista
A iniciativa do Savegnago acompanha um movimento crescente no varejo brasileiro, em que grandes redes passam a reavaliar modelos de jornada em busca de condições de trabalho mais sustentáveis, sem prejuízo à produtividade.
A adoção da escala 5×2 também reforça o debate sobre o futuro das relações de trabalho no comércio, especialmente em um setor que emprega milhares de pessoas e possui forte impacto na economia local.